Intestino e Parkinson

A relação entre intestino e doença de Parkinson é muito estudada. Disbiose, constipação e aumento de permeabilidade intestinal são coisas comuns de acontecer em pessoas com Parkinson. Por outro lado, o receptor GPR109A que, dentre outros locais, está presente no intestino, ajuda a aumentar as tight junctions, impedindo o aumento de permeabilidade intestinal. Mas você sabe o que o butirato e a vitamina B3 tem a ver com isso? Os autores desse artigo de 2021 colocam que tanto o butirato quanto a vitamina B3 podem auxiliar na ativação do receptor GPR109A, melhorando a permeabilidade do intestino. A B3 também ajuda na diminuição da inflamação e melhora a função da mitocôndria. Além disso, os autores destacam que, se o paciente com Parkinson utilizar a medicação carbidopa, existe risco de deficiência de vitamina B3. Assim, avaliar o funcionamento intestinal, aumentar o consumo de fibras prebióticas (para aumentar a produção de butirato) e avaliar se a suplementação de vitamina B3 é necessária, são algumas das estratégias que podem ser pensadas na doença de Parkinson. Mas lembre-se, antes de tornar essa informação uma verdade absoluta, procure por um bom nutricionista!

Dieta cetogênica e demência

Demência é uma das condições de saúde mais incapacitantes do mundo. Por isso, pensar em prevenção da demência e diminuição da sua progressão (caso já esteja instalada) é muito importante. E a nutrição tem um papel importantíssimo nisso. Se você me acompanha a mais tempo, sabe que eu já mostrei vários estudos falando sobre o padrão alimentar e vários alimentos específicos que estão sendo estudados para melhorar a cognição. Hoje, trouxe esse estudo de 2021 com uma abordagem diferente. A dieta cetogênica (rica em gordura e com muito pouco carboidrato) tem sido estudada a bastante tempo em condições neurológicas, com resultados mais robustos na epilepsia. Porém, estudos recentes passaram a avaliar seus efeitos na demência. Mas será que temos estudos em humanos com demência que respaldam essa conduta? Após revisar a literatura, os autores mostram vários dados de estudos pré-clínicos (em animais), que mostram benefício da dieta cetogênica, em especial por diminuir a inflamação no cérebro. Além disso, temos estudos em humanos que sugerem um possível efeito benéfico da dieta cetogênica na melhora da cognição. Porém, os estudos em humanos são estudos pequenos, sendo necessários estudos maiores para poder confirmar esse possível benefício. E lembre-se, antes de tornar essa informação uma verdade absoluta, procure por um bom nutricionista!

Matcha e cognição

O matcha é derivado da Camellia sinensis (chá verde), porém com cultivo e processamento um pouco diferente. Sua constituição inclui: catequinas, polifenóis, luteína, teanina, vitamina K, cafeína, etc. Nesse estudo realizado com pessoas idosas foi utilizado o 3 g do pó do Matcha por 12 semanas e avaliado efeitos na cognição desses indivíduos. Após análises estatística, observou-se que as mulheres que usaram o Matcha melhoraram a performance cognitiva, mas isso não foi observado nos homens. Mas lembre-se, antes de tornar essa informação uma verdade absoluta, procure por um bom nutricionista!

 

Índice glicêmico e cognição

O assunto alimentação e cognição é um assunto recorrente por aqui. Já mostrei vários artigos que associam a alimentação com melhora ou piora da cognição. Nesse estudo agora de 2020 os autores investigaram o impacto de refeição com alto índice glicêmico em idosos portadores do alelo APOE4. Em torno de 15% da população possui o alelo APOE4 e isso aumenta em cerca de 3 vezes o risco de ter doença de Alzheimer. Por esse motivo, os autores investigaram o impacto de refeição com alto índice glicêmico em idosos com esse alelo. E o que foi observado foi que fazer refeições com alto índice glicêmico piora questões cognitivas, em especial a memória visual, memória episódica e cognição global nesses idosos. Ou seja, ajustar a alimentação para diminuir o índice glicêmico pode ser um dos pontos quando pensamos em prevenir o declínio cognitivo em pessoas com alto risco de desenvolver o Alzheimer. E lembre-se, o profissional mais adequado para orientá-lo sobre alimentação é o Nutricionista.

DHA e cérebro do bebê

O ácido docosahexaenoico (DHA) é um ácido graxo poli-insaturado da família do ômega-3. Sua ingestão é de extrema importância durante a gestação. Um dos pontos que ele é importante é para o desenvolvimento estrutural e funcional do cérebro do bebê. E foi justamente sobre isso que essa revisão agora desse ano abordou. O DHA é importante para a neurogênese (formação de neurônios), plasticidade sináptica (“comunicação entre os neurônios”), para a transdução de sinal no cérebro, para a maturação dos astrócitos (uma célula da glia importante para a nutrição do cérebro e para o funcionamento geral do cérebro), para o metabolismo e captação adequada de glicose, para diminuir a inflamação, entre outras funções. Além disso, o DHA também é importante para o desenvolvimento adequado da placenta. Baixos níveis de DHA durante a gestação podem aumentar o risco de dificuldade na aprendizagem e problemas de cognição no bebê. Por isso, ajustar os níveis de DHA (alimentação + suplementação) é muito importante durante a gestação. Procure um Nutricionista para orientá-lo melhor.

Ferro, humor e cognição

Tanto o excesso quanto a deficiência do ferro podem ocasionar problemas para a saúde, incluindo problemas para o cérebro. Porém, a deficiência de ferro acaba sendo comum em alguns idosos. De forma interessante, nesse estudo publicado esse ano, foi avaliado o impacto de um baixo status de ferro em sintomas depressivos e piora de cognição em idosos. E adivinhem? Após análises estatística, foi demonstrado que os idosos que tinham um baixo status de ferro, tinham mais sintomas depressivos e pior memória. Por isso, ajustar a ingestão de ferro via alimentar é bem importante. É válido mencionar que o excesso de ferro também pode causar problemas para o cérebro. Por isso, é sempre importante avaliar cada caso individualmente. Só alimentação é suficiente? Precisa suplementar? Quanto suplementar? Por quanto tempo suplementar? Isso tudo tem que ser avaliado de forma individualizada. Por isso, procure um Nutricionista para orientá-lo melhor.

Microbiota e anorexia

A anorexia nervosa é uma combinação de baixo peso corporal, distorção de imagem corporal e medo de ganhar peso. Esse problema gera consequências somáticas e endócrinas graves, incluindo amenorreia (falta de menstruação), baixa leptina, baixo hormônio tireoidiano, aumento de cortisol, etc. Embora várias questões podem estar associadas à anorexia nervosa, estudos recentes têm investigado o papel da microbiota intestinal. E é justamente sobre isso que essa revisão de 2020 aborda. A microbiota intestinal influencia em efeitos somáticos, como extração de energia dos alimentos e ganho de peso corporal, bem como no apetite, permeabilidade intestinal, inflamação e comportamentos psicológicos como depressão e ansiedade, todos os quais desempenham papéis importantes na anorexia nervosa. Por outro lado, a restrição nutricional e a alimentação seletiva dos pacientes com anorexia nervosa também acaba por influenciar na microbiota intestinal, já que a nutrição tem um papel importantíssimo na modulação do intestino e da microbiota. Ou seja, acaba virando um “ciclo vicioso”. Por esse motivo, algumas pesquisas estão investigando o papel de suplementos nutricionais que poderiam modular a microbiota, como o ômega-3, como uma estratégia para auxiliar no tratamento da anorexia nervosa. Porém, mais estudos ainda são necessários. Por isso, procure por um bom nutricionista para avaliar seu caso.

GLP-1 e estresse

O GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon 1) é um peptídeo produzido pelas células L-enteroendócrinas, presentes no intestino. Mas também pode ser produzido no pâncreas e no cérebro. Seus principais estudos estão relacionados com controle de glicemia / diabetes, controle de fome/saciedade e obesidade. Mas seus efeitos no cérebro vão além disso. Nessa revisão de 2020 os autores abordam os efeitos do GLP-1 na modulação do estresse. A principal produção de GLP-1 no cérebro ocorre no núcleo do trato solitário (localizado no bulbo). O GLP-1 produzido dentro do cérebro vai agir, em especial, no hipotálamo, em regiões do sistema límbico e em neurônios do sistema nervoso autônomo.  Além disso, o GLP-1 produzido pelas células endócrinas do intestino também consegue exercer ações cerebrais, através de comunicação via nervo vago. Nas regiões cerebrais, o GLP-1 pode agir por diversos mecanismos de ações e vias de sinalização, contribuindo para modular a ativação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (eixo ativado durante o estresse) e modular a ativação do sistema nervoso simpático (também associado ao estresse). Além disso, a ação do GLP-1 no controle da fome/saciedade e a ação no sistema límbico (de recompensa) vão auxiliar no controle do comportamento alimentar e, por sua vez, isso também pode influenciar em vias do estresse. Ou seja, o GLP-1 parece agir como um neuromodulador. Por isso, pensar em estratégias para aumentar GLP-1 pode ser interessante. E adivinhem? A nutrição pode ajudar nisso. Procure um Nutricionista para orientá-lo melhor!

Café e cérebro

O consumo de café tem sido estudado para várias doenças neuropsiquiátricas. Em algumas delas o café parece diminuir o risco de desenvolver a doença. Em outras o café parece aumentar o risco. Nos últimos anos, alguns estudos também estão demostrando efeitos diferentes de acordo com o sexo. E foi sobre isso que essa revisão agora de 2020 abordou. Após analisar vários artigos, os autores separam os efeitos de acordo com o problema neuropsiquiátrico:

            – Acidente vascular cerebral (AVC): ingestão de cafeína é protetora. Maior efeito em mulheres do que em homens.

          – Distúrbios do sono: cafeína aumenta o risco de piora no sono. Efeito parecido entre homens e mulheres.

             – Demência: ingestão de cafeína tem efeito protetor. Maior efeito em mulheres.

            – Doença de Parkinson: ingestão de cafeína tem efeito protetor. Maior efeito em homens.

        – Depressão: na vida adulta, cafeína diminui risco de depressão em mulheres. Na adolescência, cafeína aumenta o risco de depressão, principalmente em homens.

Entretanto, ainda são necessários mais estudos. Além disso, vale destacar que existem polimorfismos envolvidos na metabolização da cafeína e que isso pode influenciar no efeito.  Por isso, antes de tornar essa informação uma verdade absoluta, procure por um bom nutricionista!

Citicolina e cérebro

A citicolina é um composto químico endógeno, cuja degradação origina a citidina e a colina. Estudos sugerem propriedades neuroprotetoras dessa substância. A citicolina parece aumentar sirtuínas, modular neurotransmissores e diminuir inflamação e estresse oxidativo. Mas o que temos de estudos avaliando sua funcionalidade? Para qual situação neurológica ela serviria? Essa revisão sistemática abordou justamente isso. Após avaliar 44 estudos, os autores colocam que a citicolina parece ser interessante pensando em prevenção da progressão de demências, além de melhorar funções cognitivas em pacientes saudáveis. Além disso, a citicolina também tem sido estudada para melhorar o prognóstico após acidente vascular cerebral (AVC). Entretanto, ainda são necessários mais estudos em humanos. Por isso, antes de tornar essa informação uma verdade absoluta, procure por um bom nutricionista!